Lenda Santa Comba de Celas

Santa Comba, oriunda de uma geração ilustre, era filha de um conde ou régulo da Lusitânia, se bem que de nacionalidade tudesca e, conforme a tradição, de mãe portuguesa, da antiga Coimbra.
Seu pai, capitão do ramo alemão que, no tempo do imperador Galieno, entrou na Hispânia para a expoliar, viria depois a apoderar-se de Coimbra, onde se apaixonou por uma formosa e nobre portuguesa, cujo encanto motivou a escolha desta para sua legítima esposa.

Decorrido algum tempo, essa portuguesa daria à luz uma menina que foi criada e educada por uma ama nobre e cristã que a fez batizar em segredo com o nome de Comba (pomba) – Columba > Colomba > Coomba > Comba – e que lhe ensinou a fé que professava. À medida que a menina crescia, em contínuas orações, se robustecia na fé e entregava a Deu a sua virgindade.
Aureliano, imperador de Roma, publica um edito cujo rigor das leis aterroriza todos os cristãos. O pai de Santa Comba, como régulo da cidade, aí o faz executar bem como noutras terras dos seus domínios. Comba, perante tal rigor da lei, rezava a Deus implorando forças para sofrer os tormentos do tirano pai que certamente nem a ela pouparia.

Sabendo este que a filha era cristã, manda chamá-la para dizer que bem sabia que ela seguia as «supersticiosas» leis dos cristãos sem seu consentimento e licença. E mais. Aconselhando-a a não desprezar os dons com que a natureza a adornou – beleza igual em toda a nobreza de Coimbra não havia – promete-lhe um esposo de harmonia com a sua alta estirpe. Para a considerar como filha, pede-lhe que deixe a vaidade cristã em que a ama a tinha criado e convida-a a adorar os deuses romanos, venerados na maior parte do mundo. Mas, se preferisse o estado de virgindade, consagrá-la-ia À deusa Vesta.
Assim conservaria a sua vida e ele o gosto e a honra que perderia, se algo de diferente viesse a acontecer.