Invasões Francesas – Santa Comba de Seia

Foi Massena, o estratega exímio, cujo talento militar o próprio Napoleão admirava, que comandou a 3ª Invasão Francesa que tantos males haveria e causar à Beira.
Decorria o mês de julho de 1810, quando vindo da Cidade Rodrigo, Massena atacou pela primeira vez a Vila de Almeida. Mas, só a 15 de setembro se deu a invasão em massa, devido, a uma terrível explosão do paiol do castelo que, abrindo enormes fendas nas muralhas, levou a capitular o desanimo tenente-rei da praça Costa e Almeida. Distinguiu-se nesse cerco Francisco Pinto de Mendonça Arrais filho do «padroeiro» da Igreja de Santa Comba de Seia que, com grande coragem e sangue-frio, domina o pânico, reorganiza rapidamente as forças e continua a bater-se.

A 16, já os franceses avançam em direção a Celorico da Beira, atravessando no dia seguinte o Mondego e semeando ao mesmo tempo o medo e a destruição entre as populações forçadas a abandonar os povoados.
Wellington, comandante do exército anglo-luso, que chegou a ter o seu quartel-general na Casa das Obras de Seia, esperava-o no Bussaco, onde, após violentos recontros, inflige a Massena pesada derrota. Este, desesperado pela falta de guias que o orientassem e pela solidão das povoações, perde 4498 homens na refrega.

Apesar de tudo, Massena alimenta o sonho de chegar a Lisboa. A 1 de Outubro toma Coimbra que saqueia. Quilómetros à frente, depara como exército de Wellington que o obriga a recuar. Os seus soldados, desanimados por causa da fome, saqueiam as povoações circunvizinhas, chegando mesmo a desertar, para se organizarem em autênticos bandos de salteadores.