A freguesia de Santa Comba tem, apenas, duas importantes estradas de acesso à freguesia, e que são duas, muito importantes vias de acesso ao concelho/cidade de Seia, a nacional 17 (Estrada da Beira) e a nacional 231. A primeira vem de Coimbra e acaba em Celorico da Beira. A segunda começa em Viseu e termina nas Pedras Lavradas (Teixeira de Baixo, Seia).
Aqui passa a ser a nacional 230, e já passamos para o Distrito de Castelo Branco.
As duas têm um pequeno ponto em comum, que por acaso é uma ponte, a Ponte de Santiago, sobre o Rio Seia, que liga as freguesias de Santa Comba e Santiago.
A jusante existe a Ponte Romana, antigo caminho romano e que ainda liga as freguesias já referidas.
Na imagem podem ver do lado direito a EN 231 que vem de Viseu e no mesmo lado sai para a EN 17 na direção de Coimbra.
Do lado esquerdo a EN 231 que vem das Pedras Lavradas e segue, na EN 17 para Celorico da Beira, também no lado esquerdo.
Seguindo sempre o sentido do trânsito.
E a curiosidade é mesmo esta, as duas importantes estradas nacionais, encontram-se à entrada da ponte e desencontram-se à saída da mesma.
Sabiam que:
O traçado da EdB (Estrada da Beira) vem do tempo dos romanos.
O legado romano é visível através de pontes romanas (algumas já convertidas) e mansiones, que na época medieval se chamariam albergarias e estalagens.
Celorico da Beira, Gouveia e Seia foram três das localidades que se desenvolveram com a EdB, através das feiras; na altura a feira era o único ponto de contato entre o produtor e o consumidor; as vias de comunicação eram muito importantes para a circulação de pessoas e bens, como nos dias de hoje!
De acordo com alguns historiadores o traçado inicial começava em Coimbra para oriente até à Guarda e Pinhel, com eixos alternativos até Viseu, Lamego e Covilhã. A EdB ligava os maiores centros urbanos, procurando evitar percursos de altitude mais elevada, portanto mais difíceis, à medida que se aproximavam da serra.
Coimbra era um grande nó viário na época medieval. Por Coimbra passava o trajeto entre Lisboa e Porto, pela chamada Estrada Coimbrã, que se cruzava com a Estrada da Beira, permitindo o acesso ao interior beirão.
Hoje em dia podemos ver que algumas das localidades têm no seu nome “Venda”; ex. Venda da Serra, Venda de Galizes, eram normalmente pontos de apoio aos viajantes. Não tinham necessariamente albergarias ou estalagens, mas forneciam alimentos, água, tratamento das montadas e por vezes alojamento. Facultavam um apoio mínimo aos viajantes.
Os nobres tinham garantida em algumas localidades a sua hospedagem (gratuita) junto dos grupos menos favorecidos; cama, roupa, comida, montada a todos quantos acompanhavam o detentor desse direito, o que originava muitas queixas. Havia mesmo número de dias limite para essa estadia, mas raramente eram respeitados.
As obrigações dos responsáveis pelas estalagens; “e estas camas sejam boas e linpas e fectas em leitos e os lençoes das camas onde ouverem de dormir homeens de bestas sejam lavados hua vez na somana e os que forem das camas da outra gente de pee sam lavadas ao menos de quinze em quinze dias”. Isto é que era higiene!
A Estrada da Beira foi um dos principais itinerários do reino que, muito embora as suas raízes romanas, sofreu um reaproveitamento medieval que só por si lhe garantiu uma singularidade comparável com a chamada Estrada Coimbrã (Lisboa - Porto), hoje decalcada pela autoestrada A1.
Esta importância manteve-se até ao aparecimento dos ICs e IPs, espalhados um pouco por grande parte do país.
A EdB tem 132 quilómetros que ligam quatro aldeias históricas, três regiões vitivinícolas (Bairrada, Dão e Beira Interior) e 11 municípios –– Coimbra, Miranda do Corvo, Lousã, Vila Nova de Poiares, Penacova, Arganil, Tábua, Oliveira do Hospital, Seia, Gouveia e Celorico da Beira.
Alguns dos fatos históricos aqui referidos foram retirados do mestrado de Helena Patricia Romão Monteiro, A ESTRADA DA BEIRA: RECONSTÍTUIÇÃO DE UM TRAÇADO MEDIEVAL; disponível no endereço: http://run.unl.pt/handle/10362/8340. Como refere a autora, não é fácil encontrar informações ou bibliografia sobre as comunicações terrestres em Portugal.
Sobre a nacional 231, até ao momento, não conseguimos encontrar qualquer referência histórica.
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